A revista Você S/A publicou, no mês de agosto, uma edição especial sobre programas de trainee. Identifiquei-me, particularmente, com a reportagem, intitulada “A Hora da Decisão”, relativa ao difícil processo de escolha, por parte do trainee, de sua futura área de atuação. Apesar do programa de trainee do SEBRAE Nacional terminar apenas em março de 2010, gostaria de compartilhar o paralelo que tracei entre esta reportagem e o momento reflexivo em que me encontro atualmente. Abordarei, primeiramente, a singularidade do programa de trainee do SEBRAE Nacional e, em seqüência, comentarei sobre sua estrutura e a razão pela qual me sinto em importante momento de decisão.
Percebo que a metodologia do SEBRAE Nacional de recrutamento de trainees é diferente das adotadas pelos demais programas existentes no país. O SEBRAE Nacional não é corporação de direito privado isenta de particularidades de direito público. Seu processo seletivo se faz mediante concurso pautado, unicamente, em análise curricular e prova de conhecimentos. Não há etapas comportamentais, dinâmicas de grupo, entrevistas ou painéis de negócios. É importante apontar, no entanto, que o processo de escolha de trainees não deixa de ser meritocrático, uma vez que são aprovados apenas aqueles que atingiram maior pontuação na prova de conhecimentos.
O programa de trainee do SEBRAE Nacional se espelha, parcialmente, no sistema de job rotation. Parcialmente, porque não há tempo hábil (oito meses de programa) ao trainee – não por falha da instituição, mas em razão da metodologia de priorização de tempo e recursos escassos adotada -, para passar por todas as 20 unidades do SEBRAE Nacional e conhecer os 26 SEBRAE/UF que compõem o sistema. A entidade optou, portanto, pela realização, por trainee, de apenas dois rodízios em unidades do SEBRAE Nacional e um estágio de três semanas em um SEBRAE/UF.
Nós, trainees do SEBRAE Nacional, sabemos, desde os primeiros momentos na instituição, que não teremos oportunidade de conhecer profundamente todas as áreas do sistema; que teremos de optar. Esta necessidade de decidir, embora não nos caiba integralmente (pois as alocações nos rodízios resultam do interesse do trainee, da avaliação de seu perfil pela Unidade de Gestão de Pessoas e da aprovação pelo gerente da área), é momento extremamente complexo. Temos de analisar diversas variáveis – expectativas, capacidade de contribuição e afinidade com a área, plano de trabalho da unidade, etc. – para tomarmos uma decisão consistente, mas, independentemente da escolha feita, a curiosidade por outras áreas sempre restará.
Estamos nos aproximando do final do primeiro rodízio (08 de outubro). Conjeturei, mas ainda não refleti profundamente sobre em que área pretendo investir esforços. Sei, no entanto, que a decisão que tomar terá grande peso sobre a minha alocação definitiva, em abril de 2011. Acredito, portanto, que, embora não seja, integralmente, caminho sem volta, a escolha atual consiste em espécie de path dependence – idéia que consiste na identificação de que decisões futuras são limitadas por decisões passadas -, que orientará meus futuros passos na entidade. Não posso subestimá-la ou deixar de lhe dar a devida importância.
A estrutura do programa de trainee do SEBRAE Nacional é peculiar e impele os participantes a tomar decisões importantes desde os primeiros meses na instituição. A revista Você S/A retratou experiências de trainees que tiveram de tomar decisões sobre seu futuro na empresa após terem passado por diversas áreas e conhecido seus programas e diretrizes. No SEBRAE Nacional é diferente. Sinto-me como se estivesse estruturando minha carreira desde o início do programa. Ao mesmo tempo em que tenho interesse por unidades de articulação, gostaria de trabalhar com o público externo do SEBRAE ou integrar equipes voltadas ao conhecimento. Não posso ter todas. Minha saída: decidir.
Arrivederci.
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