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sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Chefas e Chefes

Olá pessoal,

O post, de 26 de setembro de 2010, intitulado Perspectiva Negligenciada tratou da necessidade de ampliação de discussões, no SEBRAE e na sociedade brasileira em geral, relativas à perspectiva de gênero. Seu conteúdo gerou dúvidas, principalmente no que tange à afirmativa "a maior parte dos chefes de família são representantes do sexo masculino". Devido à discussão suscitada, gostaria de compartilhar alguns links de pesquisa que embasaram minha afirmação.

Mulheres são mais chefes de família na classe C: O Portal Exame, embasado nos resultados da pesquisa IBOPE, publicou, em 05 de outubro, o acréscimo de participação de mulheres como chefes de família na classe C. Enquanto comandam 32% das famílias no Brasil, as mulheres representam apenas 25% das chefes de família em classes mais altas, A e B. O número representa avanço, mas ainda denota a grande disparidade entre homens e mulheres no que tange à definição de papéis de referência na sociedade.

Cresce o número de mulheres como chefes de família: O número de mulheres como chefes de família está em ascensão na maioria dos Estados brasileiros - nos últimos 10 anos, a taxa feminina cresceu 81%, a masculina, somente 15%. Apenas Roraima, Maranhão, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Bahia, Rio de Janeiro e Santa Catarina e Acre não registraram taxas de aumento da participação feminina no comando familiar. Elas já estão à frente de quase 22 milhões de residências no Brasil. Esta estatística demonstra o processo de desvinculação direta entre chefes de família e provimento de recursos. A mudança conceitual no que tange à pessoa referência passa por considerações que ultrapassam o viés economicista, de modo que, não necessariamente, o chefe de família necessita receber o maior salário da casa.

Mulheres e famílias monoparentais: Por razões profundas vinculadas à construção social sexista, homens são, geralmente, tidos como referência em famílias constituídas por casais com ou sem filhos. As mulheres, conforme visualizado na página 232 do documento, respondem, por sua vez, pela maior parte dos arranjos familiares monoparentais no Brasil, um dos tipos mais delicados de família. As taxas de crescimento de mulheres como referências em famílias monoparentais suscita questionamentos. Ao mesmo tempo em que há, atualmente, maior liberdade de ação e melhores condições de inserção no mercado de trabalho, o que possibilita a criação de filhos por conta própria, famílias monoparentais, na maioria dos casos, evidenciam menores vínculos entre a figura paterna e os filhos. Famílias monoparentais com mulheres como chefes de famílias podem surgir por opção da mulher, mas são resultado principal da contrução de papéis sociais estritos designados às figuras masculinas e femininas que acabam por vincular a mulher à obrigatoriedade de responsabilizar-se pelas funções de cuidado da família. Aqui, encontra-se um problema que gera vulnerabilidade à família: o não reconhecimento paterno.

Rendimentos dos chefes de família: A Síntese de Indicadores Sociais do IBGE de 2008, em suas páginas 114 e 115, demonstra a evidente diferença salarial entre chefes de família de sexos distintos e seus respectivos cônjuges. Enquanto 73,7% dos cônjuges de chefes de família do sexo feminino recebem igual ou mais que os companheiros, apenas 26,2% dos cônjuges de pessoas de referência do sexo masculino recebem igual ou mais que os seus pares.


Arrivederci.

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