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sábado, 26 de fevereiro de 2011

Nem tudo são flores

Olá a todos,

Na minha última semana no Pará, concentrei esforços na porção ocidental do Estado. Cheguei a Santarém no dia 21 de fevereiro, conheci a equipe e alguns projetos do Escritório Regional da Região dos Tapajós e, dirigi-me com alguns colegas de trabalho, já no dia seguinte, ao município de Terra Santa. 

Redes em barco com destino a Terra Santa
18 horas. Esse foi o tempo de duração da viagem. No barco, ouvi a proposta de atuação: visitar 20 famílias, localizadas em três comunidades – Redobra, Alema e Casagrande -, do município de Terra Santa. Com qual objetivo? Apresentar, ao públco-alvo, os novos gestor e consultor do projeto de meliponicultura da região, além de identificar a praga que estava corroendo meliponários de algumas famílias participantes.

A visita foi interessante. Compreendi que o projeto de meliponicultura consistia em contrapartida da Mineração Rio do Norte às explorações de bauxita na região, espécie de ação de responsabilidade social local. O objetivo da empresa era promover projeto que gerasse renda à população de comunidades de baixo dinamismo econômico e contribuísse para o reflorestamento de áreas amazônicas. A idéia foi apresentada ao SEBRAE, que prontamente acatou a sugestão e elaborou o projeto.

Equipe do SEBRAE e demais participantes
do projeto de meliponicultura em Terra Santa

Percebi que a iniciativa há de ser completamente reestruturada; a execução das ações parece descompassada. A produção de mel já foi iniciada. A identificação de espécies locais, a análise de demanda de mercado, o repasse de boas práticas de produção, entre outras ações, no entanto, ainda são pendentes. Estruturação de planejamento consistente que privilegie medidas de análise de viabilidade do projeto é o passo a ser dado.

Em segunda instância, outro fator me chamou a atenção. É inegável que a Mineração Rio do Norte é fator de crescimento econômico para a região dos Tapajós; o desenvolvimento do município de Oriximiná é basicamente fruto das atividades desenvolvidas pela empresa. Porto Trombetas, por exemplo, é espécie de aeroporto privado em que permissões para a entrada de passageiros devem ser solicitadas diretamente à Mineração Rio do Norte. Dúvidas, porém, existem no que se refere à capacidade dos municípios da região de tornar sustentável a atual dinâmica de desenvolvimento em momento futuro sem a participação da empresa.

A viagem a Terra Santa foi importante para o meu crescimento profissional. Não havia, ainda, entrado em contato com projetos que visivelmente precisam de modificações drásticas. Aprendi na prática a essencialidade de um bom planejamento. A identificação das lacunas foi realizada. Resta esperar que a meliponicultura no oeste do Pará entre no rumo certo e proporcione resultados tangíveis.

Arrivederci.

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