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sábado, 31 de julho de 2010

Fim de papo: constatações sobre o período de capacitação

Olá pessoal,

Estamos chegando ao fim da primeira etapa de capacitação dos trainees do SEBRAE Nacional. Foi aproximadamente um mês de palestras, oficinas, viagens e muito trabalho. Este post não poderia deixar de fazer menção à importância desse período de treinamento e ao crescimento proporcionado pela vivência com as pessoas que adentraram em minha vida como meros desconhecidos e passaram a ser considerados nada menos que amigos.

É incrível como o ser humano tem capacidade de se relacionar com seus semelhantes de maneira tão profícua. Quanto mais pensamos ser auto-suficientes e conhecedores de nossas características e necessidades deparamo-nos com pessoas, até então, estranhas que nos apontam novas maneiras de olhar e refletir. Foi exatamente isso que aconteceu neste período de treinamento.

Pensava ser alguém exitoso em esconder pensamentos e emoções, mas Antônio Carlos, consultor pedagógico dos trainees do SEBRAE Nacional, atestou meu equívoco. Durante nossa conversa, Antônio Carlos demonstrou sua alta capacidade de captar pontos característicos de minha personalidade, presenteando-me com um feedback objetivo e realista sobre minhas peculiaridades. Aprendi que devo trabalhar aspectos como ansiedade e cobrança a fim de evoluir profissionalmente. Verifiquei, entretanto, que características, por mim pensadas como negativas, não necessariamente devem assim ser consideradas, e que o importante não é suprimir suas particularidades, mas dosá-las de modo que não consumam o seu ser.

Aprendizagem não se deu apenas via feedback ou conversas estruturadas com este fim. Aprendi muito com meu grupo de colegas. Entendi que há diversas maneiras de construir caminhos pensando em um resultado; compreendi que interdisciplinariedade e heterogeneidade de grupos só tem a contribuir com o crescimento de discussões; verifiquei que perfis diferentes compõem um todo complementar essencial para o sucesso de qualquer equipe e; finalmente constatei que, apesar de metas e objetivos individuais, o coletivo é mais importante, sendo possível a supressão da cultura de conflito pela de cooperação.

Na segunda-feira ainda teremos uma atividade conjunta pela manhã com a discussão acerca da obra Raízes do Brasil, mas à tarde os trainees já estarão individualmente alocados em suas respectivas unidades. Neste primeiro rodízio, fui lotado na divisão de minha preferência, a UAIN, Unidade de Assessoria Internacional. Espero sim muito trabalho, mas espero também poder compartilhar com meus colegas experiências e desafios. Anseio, portanto, fazer parte de um grupo que não desmorone e siga conjuntamente com um fim: o cumprimento da missão da instituição que representamos e o crescimento coletivo como profissionais, mas principalmente como seres humanos.

Obrigado a quem comigo conviveu e compartilhou parte de sua história. Ensinei, mas fundamentalmente APRENDI.

Arrivederci.

“Comoditi”: ser ou não ser?

Boa tarde de sábado pessoal,

Na última quarta-feira, assisti uma das mais interessantes palestras de toda minha vida. Ao abordar tema relativo à importância de inovar e o modo como se pode agir para atingir tal fim, Luciano Pires brotou uma semente de esperança. Inovar não seria inalcançável, mas algo relativamente simples e vital.

Pires deixou assente a essencialidade de se construir diferenciais a fim de não permitir aquilo que ele denomina “comoditização”. Este termo equivale à paridade; paridade que se tornou característica central de nossa sociedade, na qual investimentos em tecnologia não conseguem prover o mesmo resultado de outrora, pois a capacidade de cópia é sobremaneira elevada. A conseqüência dessa equalização de tecnologias é a ausência de estímulos, resultantes na incapacidade de imaginar. Sem incitações ao aprofundamento, há, conforme Pires indica, evidente “superficialização” de bens, serviços, processos, etc. A postura de temor surge em decorrência desta evidente “superficialização”, a qual incorre em fuga de responsabilidades e conseqüentemente em paralisia e mediocridade. A “comoditi” (termo em versão extraoficial) apresenta novo sentido para caracterizar o estágio em que tudo é igual, tudo com o mesmo valor.

O problema a ser enfrentado é ser ou não ser “comoditi”. Ser “comoditi”, para Pires, é uma decisão pessoal e depende de nossas atitudes e da percepção que ajudamos a construir de nossos produtos e serviços em nossos clientes. A empresa, portanto, não é definida por seus produtos e serviços intrinsecamente, mas por seus processos; fundamento que embasa a idéia de que a forma de fazer é mais importante do que o que é feito. Ao compreendermos que a percepção de valor é o que, de fato, define nossas decisões, estamos próximos de entender que há diversas variáveis que compõem o valor de um bem. Gerenciar valor meramente por preço dá a idéia de que é tudo é a mesma coisa, fato que relega a segundo plano demais características igualmente importantes para a formulação do valor. Em outros termos, valor e preço não são a mesma coisa e sua diferenciação deve ser objetivo central das empresas. Aprender a diferenciar é vital para não se tornar “comoditi”.

Inovar é meio, não fim; é fazer algo novo, não fazer algo melhor. A capacidade de inovar surge quando estímulos diversos são eriçados. Segundo o consultor pedagógico dos trainees do SEBRAE/NA, Antônio Carlos, a criatividade se impõe quando a massa crítica é acionada. Luciano Pires complementou essa idéia ao retratar que a inteligência surge quando surgem problemas; quebra de rotina é essencial para o processo criativo. Vê-se, portanto, que previsibilidade deve ser algo combatido, a fim de permitir a diferenciação e o fim do monopólio das “comodities”.

Esta idéia é fundamental para qualquer pessoa que pretenda ser algo mais que um simples empresário. Ter "culhão" para enfrentar problemas e pensar criativamente é aspecto base do inovador. Não adianta seguir tendências, há de criá-las e constantemente modificá-las. A velocidade atual não permite que estacionemos em determinado ponto e esqueçamos de crescer. No fim das contas, tudo depende da percepção que ajudamos a criar. Fazer bem feito é importante, mas parecer fazê-lo como tal é vital.

Arrivederci.

domingo, 25 de julho de 2010

Compartilhar experiências

Bom fim de noite de domingo,

Hoje, pretendo abordar ponto importante para qualquer indivíduo que pretenda trabalhar em equipe: o compartilhamento de experiências. Esta semana demonstrou que a equipe de trainees do SEBRAE Nacional está disposta a fazer deste aspecto seu traço característico.

A semana foi permeada por considerações acerca das visitas realizadas, em diversas unidades federativas, aos projetos do SEBRAE. A pauta dos colegas trainees não poderia ser outra; a experiência foi sobremaneira interessante para passar em branco.

Verifiquei, com estes relatos, que as viagens aos projetos dos SEBRAE's UF's possibilitaram a coleta de informações referentes à maneira como é realizado o trabalho executório do SEBRAE na “ponta”. A capacidade da instituição de abrir possibilidades e construir projetos visando ao desenvolvimento social de empresas, segmentos e territórios outrora desacreditados é impressionante. Acreditamos, porém, que lições como a heterogeneidade do público-alvo do SEBRAE, o qual varia de empresas com alto grau de sofisticação, embasadas em tecnologias de última geração até empreendimentos coordenados por pessoas com baixo grau de instrução e ancoradas em tecnologias primitivas é um dos aspectos que condiciona sua atuação em diversas frentes.

O SEBRAE, foi visto, é uma das poucas instituições que tem a responsabilidade social como sua atividade-fim; o grande desafio, portanto, é conseguir mostrar aos seus clientes e parceiros que o desenvolvimento é possível. A capacidade de modificar culturas e padrões de pensamento, relacionamento e ação é sua atribuição especifica. Cremos, portanto, que o SEBRAE, nas viagens dos colegas, conseguiu demonstrar que o sucesso de projetos e iniciativas diversas não estão condicionados ao montante de recursos a eles direcionados, mas à possibilidade que abrem de instituir novas mentalidades e modelos de ação aos seus destinatários.

Esta é apenas uma breve consideração sobre a maneira como a equipe de trainees encarou a missão de visitar os projetos do SEBRAE na "ponta" e algumas das conclusões retiradas. Além das reiteradas ênfases atribuídas à importância da instituição em que trabalhamos e às mudanças proporcionadas por suas ações, gostaria de frisar o modo tocante como a equipe de trainees do SEBRAE Nacional percebe sua responsabilidade e permite o trabalho em equipe de maneira construtiva. Empresa bem-sucedida é mais que a simples soma de indivíduos; é a construção de um todo compacto, formado por ingredientes como cultura própria e interesses comuns. Os trainees parecem ter ciência disso.

Arrivederci.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Considerações de meio de semana

Olá pessoal,

Meio de semana e tantas considerações a fazer. Apresentações, oficinas e tarefas foram a tônica até aqui; informações não cessam de fluir.

Segunda-feira foi o primeiro grande teste para nós trainees. Depois da conversa com o Diretor de Administração e Finanças do SEBRAE Nacional, José Cláudio dos Santos, eu e meu colega Pedro, tivemos de apresentar nossas conclusões sobre os projetos visitados em Natal, utilizando as técnicas expostas na oficina de comunicação da semana passada. Não foi fácil. Percebi que ainda tenho alguns cacuetes e que tenho de controlar mais o nervosismo e a ansiedade antes de falar em público. Acredito, entretanto, que o resultado foi satisfatório, com a dupla apresentando todos os pontos cruciais propostos e obtendo boa capacidade de síntese e objetividade. Na segunda-feira, ainda, fomos apresentados às unidades do SEBRAE Nacional que, devido à falta de tempo na semana passada, não tinham exposto sua estrutura de funcionamento e missão. Como foi pedido à cada trainee que elaborasse uma lista contendo suas cinco primeiras opções de unidades do SEBRAE Nacional, a fim de auxiliar o processo de alocação no primeiro rodízio a ser realizado em agosto, redigi rapidamente minhas preferências. Unidade de Assuntos Internacionais, Acesso a Mercados, Atendimento Individual, Desenvolvimento Territorial e Atendimento Coletivo Comércio e Serviços foram, em ordem decrescente, minhas escolhidas. Espero fortemente ser alocado em algumas dessas áreas, mas se não for possível, acredito que será interessante conhecer outras unidades e pesquisar temas diferentes.

Na terça-feira tivemos uma maratona sobre Gestão Estratégica Orientada para Resultados. A oficina de GEOR foi realmente muito cansativa, com centenas de slides apresentados por Mario Lúcio, analista da Unidade de Gestão Estratégica do SEBRAE Nacional. Consegui absorver parte do conteúdo, mas acredito que a preferência por concentrar a exposição em termos teóricos dificultou a compreensão global da matéria. Afora as seis horas de exposição, fomos presenteados com uma avaliação contendo dez questões sobre o assunto exposto durante o dia. Já que as questões eram discursivas fui obrigado a levar tarefa para casa. Ao menos esta já concluí.

Hoje o dia foi voltado ao estudo de parte dos sistemas corporativos do SEBRAE. SGO, SME e SEAP foram apresentados e penso que, pelo seu dinamismo, as exposições foram bastante proveitosas. Foi possível aprender um pouco sobre a plataforma eletrônica de verificação de dados pessoais e análise de projetos, o que contribuiu para orientação dos processos a serem gerados em casos específicos. Espero que possamos realmente entrar em contato com esses sistemas de forma mais intensa, pois, devido à instalação dos computadores ter sido realizada recentemente, configurações ainda não tinham sido totalmente efetuadas e problemas no acesso foram comuns no dia.

Bom, esse é apenas um breve relato sobre o que foi vivenciado até agora nesta semana. O programa está bastante puxado e informações não param de ser agregadas. Saíremos desse mês de treinamento de cabeça cheia e relativamente capacitados para começar a trabalhar de fato. Espero ansiosamente por esse dia.

Arrivederci.

domingo, 18 de julho de 2010

Projeto Território Mato Grande - SEBRAE/RN

Olá pessoal,

Hoje, gostaria de enfocar um dos projetos que mais me atraiu na visita a Natal: o projeto de desenvolvimento territorial da região de Mato Grande. A iniciativa a mim apresentada por Angelo Baeta corresponde à estratégia de estímulo ao empreendedorismo e fortalecimento da estrutura econômica do território nordeste do Rio Grande do Norte; e deve ser enfatizada como exemplo de que, apesar de avanços tecnológicos, estamos muito aquém de conhecermos as múltiplas realidades que nos circundam.

O território de Mato Grande é um dos três Territórios da Cidadania estabelecidos pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário, em 2008, para o Estado do Rio Grande do Norte. O programa do governo federal, conforme descrito no site (http://www.territoriosdacidadania.gov.br/) tem como objetivos "promover o desenvolvimento econômico e universalizar programas básicos de cidadania por meio de uma estratégia de desenvolvimento territorial sustentável".  A necessidade de se atentar para territórios de baixo dinamismo econômico tornou-se política de governo e o SEBRAE não poderia se ausentar de elaborar projetos nesta estirpe.

A região de Mato Grande foi escolhida como alvo preferencial da Unidade de Desenvolvimento Territorial do SEBRAE/RN. A população superior a 200 mil habitantes, dos quais 52% vivem na área rural, o IDH territorial de 0,61 e a constatação de que 80% do território é caracterizado por baixo dinamismo econômico são pontos que indicam a importância de projetos que busquem estimular e promover a cultura empreendedora como ferramenta para inclusão produtiva. O desenvolvimento sustentável de Mato Grande é objetivo primordial, sendo somente possível por meio de diagnósticos bem elaborados e da participação efetiva da governança local.


 
O público alvo do projeto são os 15 municípios identificados como pertencentes ao território de Mato Grande. Os resultados são visíveis, uma vez que em consequência do baixo conhecimento qualquer iniciativa inovadora gera grandes impactos. Problemas existem, porém, ao verificarmos que o recorte político elaborado pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário, em que o território englobaria somente 15 territórios, força a exclusão de municípios como Galinhos e Guamoré. Estes municípios fora do território de Mato Grande, apesar de muito próximos, não são contemplados nem pelo governo, pois não fazem parte do Programa Territórios da Cidadania, nem pelo SEBRAE, uma vez que há certo engessamento dos projetos pelo SEBRAE Nacional, devido à ausência de recortes próprios para a elaboração do projeto. Tira-se uma lição valiosa desta análise: a necessidade de flexibilização dos projetos, de forma a garantir maiores retornos à sociedade.

Problemas à parte, o diagnóstico elaborado pelo SEBRAE apontou que o litoral da região apresenta grande potencial turístico, com praias isoladas e ótimas condições para a prática de wind e kite surf. Estas mesmas condições, acarretadas pela intensidade dos ventos alísios, indicam elevada capacidade eólica para geração de energia no território. O potencial apicultor é enorme. O Rio Grande do Norte é um dos maiores exportadores de mel do país e pesquisas demonstram que caso produzida em Mato Grande, a quantidade de mel no Estado triplicará. Além disso, o corredor de produção de abacaxi é interessante para a região, constatando-se que a capital do abacaxi do Estado, Ielmo Marinho, produz menos do fruto do que cidades como Touros e Pureza, situadas no território de Mato Grande. Verifica-se que maior quantidade e qualidade se encontram em outras cidades, mas o incipiente marketing ainda nã garante ganhos relevantes de imagem.

O projeto, apesar de dificuldades inerentes à sua categoria, vem alcançando resultados expressivos, como o início das exportações de abacaxi, a adesão de 13 dos 15 municípios à Lei Geral das MPE's e a maior visibilidade de municípios da região a nível nacional, conforme evidenciado em programas de mídia retratando o lado paradisíaco de São Miguel do Gostoso.

A busca por maior integração entre os municípios do território, estratégias como o registro de Empreendedores Individuais e incentivos a compras governamentais, ao turismo rural e a consolidação de consórcios municipais para educação, saneamento e turismo ainda são conquistas a serem atingidas. O número de empreendimentos, a renda dos empreendedores, a quantidade de empregos, o mix de produtos e a comercialização, entretanto, já sofreram expressivos aumentos.

É incrível que tudo isso faça parte do Brasil, mais especificamente de um território, até pouco tempo, praticamente inexplorado. A ausência de Mato Grande da área semi-árida inviabilizava o apoio por meio das políticas nacionais para o semi-árido, assim como sua ausência do território metropolitano isentava-o de incentivos próprios à região próxima à capital. O isolamento vivenciado por Mato Grande exemplifica o fato de que ainda estamos muito longe de conhecermos minuciosamente os diversos aspectos da vida moderna. Relegamos o que não nos interessa a segundo plano e deixamos de olhar para a realidade holisticamente. O primeiro passo para a mudança de rumo talvez seja a capacidade de olhar para o lado e identificar oportunidades de avanço. Mato Grande pode ser o início desta mudança.
                                                                                                               
Arrivederci.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Visita aos Projetos Técnicos do SEBRAE/RN

Olá Pessoal,

Última noite aqui em Natal e várias estórias para contar. Poderia elaborar um post para falar da cidade, da praia, dos restaurantes e dos bares; porém, não tive oportunidade de conhecer as belezas turísticas a fundo. Nem na praia pisei. Tenho, no entanto, capacidade para relatar um pouco sobre as pessoas e o trabalho realizado pelo SEBRAE aqui no Rio Grande do Norte.

O Rio Grande do Norte é, com certeza, um Estado privilegiado. As pessoas são maravilhosas, muito acolhedoras e simpáticas. O corpo de funcionários do SEBRAE da região não poderia ser diferente. Eu e o meu colega de viagem Pedro fomos muito bem tratados e tivemos a oportunidade de conhecer praticamente todas as unidades da instituição. Até com os diretores nos reunimos. E trabalho não faltou.

Ao chegarmos à sede do SEBRAE/RN na quarta-feira pela manhã, fomos acolhidos por um grupo de funcionários, e, logo em seguida, bombardeados com informações, constantes do roteiro de nossa estada. O projeto de desenvolvimento do território de Mato Grande foi o primeiro a ser apresentado, e, por meio dele, pudemos verificar a importância de iniciativas que buscam incentivar vocações econômicas de cada região - no caso o wind e kite surf, dentre outras atividades como a produção de abacaxis, em Mato Grande. Após esta breve exposição, pegamos a estrada, a fim de visitar a chácara Piauísul no município de Macaíba. O foco da visita era conhecermos um pouco mais do projeto de floricultura do SEBRAE/RN ao entrarmos em contato com um pequeno produtor de flores tropicais da região. Após voltarmos a Natal e rapidamente almoçarmos, seguimos para nosso último destino do dia: o distrito de Cobé, no município de Vera Cruz, local reconhecido pela grande concentração de pequenas fábricas produtoras de farinha. Visitamos três fábricas distintas e ficamos impressionados com a Casa de Farinha dos Anjos. Exemplo de iniciativa e empreendedorismo, o proprietário da fábrica, Jânio, congraçou-nos com seus aperitivos feitos a partir da mandioca, mas principalmente com seu jeito de ser. Dono de uma mentalidade instigante, Jânio despertou, ao menos em mim, a idéia de que mudanças são possíveis; o que falta à maioria de nós é coragem para tal.

Na quinta-feira, logo ao chegar ao SEBRAE/RN, dirigimo-nos à sala de treinamento, onde ouvimos um pouco mais sobre os projetos de tecnologia da instituição, principalmente o Sebraetec/Protec e mais enfaticamente sobre um projeto de educação espetacular. Seu título resume a essência do projeto: Despertar. O foco do “Despertar” é abrir os olhos de estudantes do ensino médio de escolas públicas do Estado para o empreendedorismo. Por meio de parcerias diversas e da capacitação de professores, o projeto, apesar de pequeno em termos financeiros, torna-se grandioso, ao prover novas perspectivas de futuro para garotos e garotas da região. Depois deste banho rejuvenescedor, partimos para conhecer o Núcleo de Incubação Tecnológica. Em contato com gestores da incubadora e com sócios das empresas ali instaladas, pude constatar que a categoria de micro e pequenas empresas é capaz de congregar empresários de perfis e níveis de escolaridade totalmente distintos, além de produtos de valor agregado e tecnologias inteiramente díspares. Devido à nossa longa conversa, quase não tivemos tempo para almoçar e já partimos para breve apresentação de projetos da Unidade de Orientação Empresarial, mais especificamente o ALI – Agentes Locais de Inovação. Com base neste projeto saímos mais uma vez a campo, desta vez em direção ao bairro do Alecrim, com o intuito de visitarmos empresas atendidas pelo ALI e pela Oficina SEBRAE de empreendedorismo. Ao conversar com empresários deste bairro popular extremamente voltado ao comércio, tornava-se visível as alterações significativas que o projeto pôde trazer para a realidade dos empreendimentos e do bairro em geral. Após o depoimento de um dos empresários – o qual confessara que quase fechou as portas, e o primeiro passo para mudança de rumo foi a alteração psicológica -, ficou claro que a barreira mais difícil de ultrapassar é a mentalidade enraizada em determinada cultura tradicional, aquela mentalidade que nos indica aversão à mudança.

Findo o dia de quinta-feira, voltamos ao SEBRAE/RN na sexta feira às 09:00h. A agenda parecia um pouco mais light. Ainda de manhã fomos apresentados ao projeto de petróleo e gás do Estado, exposição que agregou conhecimentos sobre a capacidade das micro e pequenas empresas fornecedoras da Petrobras conseguirem se associar com vistas a incrementar vendas, manter bases de dados, incorporar conhecimentos quanto à qualidade, eficiência energética, capacidade organizacional, dentre outras questões. A Unidade de Indústria continuou expondo seus projetos, mas agora na área de confecções. Após breve relato sobre a experiência do “Natal Pensando Moda”, seguimos viagem para visitarmos uma das empresas atendidas pelo projeto. Em contato com a proprietária, percebi que a busca por mercados e por exposição da marca fora do circuito tradicional de comércio é importante para esse segmento, até pelo fato de que há clara deficiência local em suprir as carências de fornecimento do estabelecimento. São Paulo ainda é o local privilegiado quando tratamos de fornecimento de acessórios, malhas e tecidos para confecção. A visita foi curta e tivemos tempo de sobra para almoçar, mas a tarde, que parecia tranqüila no roteiro, mostrou-se diferente com quatro horas de apresentações pela Unidade de Comércio e Serviços. A exposição inicial enfocou o projeto “Turismo Melhor”, iniciativa voltada ao incremento da qualidade dos equipamentos de hospedagem e alimentação do Estado. Desenvolvido por meio de consultorias e capacitações o projeto lista itens, aos quais a empresa tem que se adequar para receber a outorga do título de “Turismo Melhor”. Não tivemos folga e, logo em seguida, foi exposto o projeto do SEBRAE para a Copa de 2014 no Brasil. O projeto é realmente muito amplo e se assemelha a um programa de iniciativas voltadas à estruturação da cidade de Natal, mais especificamente da região do entorno de 100 km ou à uma hora de distância do estádio da capital do Estado.

Acredito ter ficado evidente nossa elevada carga de trabalho nesses últimos três dias. Foi realmente uma experiência muito interessante, com certeza, uma das mais gratificantes de minha vida. Aprendi com todos, desde a pequena proprietária de uma loja de moda evangélica (segmento que acreditava ser inexistente até então) até os diretores do SEBRAE/RN. Todos passaram mensagens importantes de como encarar a missão de nossa instituição e de como olhar para os pequenos empresários de maneira mais inclusiva e sem preconceitos. Gostaria, ao final desse depoimento, registrar meus agradecimentos especiais à Juliana, pessoa extremamente atenciosa, que foi responsável pela elaboração do roteiro de nossa visita, ao Emerson, presente em todos os momentos, grande amigo, piadista e parceiro, e ao meu colega de viagem Pedro, que me aturou esse tempo todo e contribuiu com minha formação, por meio de comentários inteligentes e sua maneira de ser.

                                                                                                                Arrivederci.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

A lógica cultural brasileira e seu paradoxo

Olá pessoal,


Diversas exposições e documentos apontam para aspectos culturais do povo brasileiro como fatores de entrave ao empreendedorismo nacional. Creio que há interessantes pontos relacionados com esse pensamento que devem ser apresentados. O foco desse post, portanto, será a ênfase nas peculiaridades da lógica cultural brasileira frente ao trabalho, somada ao aparente paradoxo referente à essencialidade das micro e pequenas empresas (MPE’s) para o funcionamento da economia e a sua “fama” de segundo escalão.


Tomando como ponto de partida a visão brasileira frente ao trabalho, penso existir aparente paradoxo no modo como a sociedade brasileira se posiciona quanto ao tema. Ao mesmo tempo em que sentimos, conforme Ricardo Caldas assinalara, uma possível falta de "cultura do trabalho" na sociedade brasileira - cultura não intrínseca ao povo brasileiro, mas derivada de aspectos históricos e estruturais diversos - verificamos, conforme a pesquisa GEM demonstra, que há, no Brasil, certa valorização ou admiração dos empreendedores ou pessoas que conseguem viver de seu próprio esforço. Em outros termos, vemos que a sociedade brasileira, apesar de não ser muito afeita à tomada de riscos e crescimento crescente, optando, geralmente, por estabilidade e segurança, aponta para a valorização daqueles que lhe são diferentes. Parece, no caso, que admiramos aqueles que não são como nós, aqueles que buscam por empreendedorismo e conseguem seu sustento por sua ousadia, a despeito de não termos coragem ou incentivos para fazer o mesmo. Acredito que há, porém, uma distinção essencial a ser elaborada. O culto ao empreendedorismo é lançado àqueles que conseguem montar empreendimentos de claro destaque social, independentemente do porte da empresa, enquanto que empreendedores com menos lastro ou imagem figuram como "coitados" e sofredores.


É exatamente nesse ponto que penso estar presente o paradoxo do empreendedorismo da micro e pequena empresa no Brasil: a evidente centralidade do papel das MPE's para o desenvolvimento nacional em contraste com a falta de olhares para o seu real significado econômico-social. Ao mesmo tempo em que as MPE's respondem por cerca de 99% das empresas, 52% dos empregos formais - e por 96% dos empregos formais criados nos últimos 10 anos - e 20% do PIB no Brasil, o real dimensionamento desses números parece obscuro para o público em geral. O sonho do brasileiro ainda é ganhar na loteria, tornar-se servidor público ou funcionário de uma grande empresa. É claro que todos nós já tivemos sonhos de abrir o próprio negócio, mas deixamos de ousar e não percebemos que aqueles que ousaram e ousam são essenciais para o funcionamento da nossa sociedade.

O apontamento desses tópicos permite a reflexão sobre a evidente disparidade entre como pensamos e como nossa sociedade está estruturada para funcionar. As MPE's, claramente, têm fundamental importância econômico-social no Brasil, mas a lógica cultural parece relegar essa essencialidade à segundo plano. Relativa aversão ao trabalho e olhares tortos ao empreendedorismo de baixo dinamismo, geralmente representado por empreendedores por necessidade, ainda são quadros corriqueiros. Se a estrutura macroeconômica não contribui para maior ousadia e ambição da população, fator ainda mais básico se encontra nos alicerces da estrutura social: sua capacidade de refletir e inventar novos paradigmas culturais.

Arrivederci.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Primeiras impressões

Olá a todos,

Enfim, realizo aqui meu primeiro post, o qual pretende abordar a visão embrionária e parcial de um trainee do Sebrae Nacional sobre o programa de treinamento oferecido.

Chegamos, em tese, ao fim da primeira semana de treinamento dos trainees do Sebrae Nacional. Em tese, porque o trabalho continua em casa, com diversos textos para ler, questões a responder e pesquisas a elaborar. Não percamos tempo, portanto.

Sinto que o programa será muito extenso e repleto de atividades. Bom para nós. A fase, agora, é de capacitação; e não dá para perder a oportunidade de adquirir informações necessárias ao nosso futuro dentro da empresa. Ao falar de informação, remeto-me, principalmente, às diversas exposições feitas na semana, algumas de elevadíssimo nível, realizadas por profissionais de pedigree, e outras, talvez um pouco menos entusiasmantes - possivelmente pela ausência de afinidade intelectual dos destinatários com o tema proposto, pela necessidade de pular informações devido ao escasso tempo diponível ou por fatores decorrentes de razões e circunstâncias diversas. De qualquer forma, a semana foi muito proveitosa. Acredito que consegui vivenciar um pouco dessa "cachaça" que nos é proporcionada e sentir, mesmo que levemente, como é ser parte de um time vencedor como o do Sebrae.

Diferentemente do ditado popular, constatei que mesmo em times vencedores a mudança se faz necessária. Talvez, este seja um dos motivos fundamentais da elaboração do programa de trainees. Em síntese, enfatizo a oxigenada necessária a qualquer instituição que se pretenda inserir na nova realidade mundial. Esse novo pessoal, em minha opinião, apresenta-se extremamente motivado e capaz de realizar inovações e contribuir com olhares diferenciados e novas reflexões. Afinal, conforme notificado anteriormente, motivação é o que não nos falta. Nas diversas atividades propostas aos trainees, a cada momento que se observe, constata-se a vontade de fazer bem feito, o ímpeto idealizador nas ponderações e a sede por conhecimento nas questões elaboradas. Confio que esse grupo fará a diferença.

O grupo já está criando laços mais próximos de afetuosidade e penso que isto é importante para a estruturação de uma equipe coesa em busca de resultados. Conforme mencionado pelo nosso consultor pedagógico, Antônio Carlos, nós trainees já entramos na fase de integração sinérgica, em que conseguimos identificar pensamentos e emoções pelo olhar. Espero que isto continue e cresça com o passar do tempo.


Bom, despeço-me aqui desejando ótimo final de semana a todos e, agradecendo, principalmente, o apoio dispensado a mim, nesta primeira semana, pela coordenadora do programa de trainees Edla Brígida, pelo nosso consultor pedagógico Antônio Carlos e pelo meu atencioso tutor Ronaldo Starling.


Arrivederci.