Olá Pessoal,
Última noite aqui em Natal e várias estórias para contar. Poderia elaborar um post para falar da cidade, da praia, dos restaurantes e dos bares; porém, não tive oportunidade de conhecer as belezas turísticas a fundo. Nem na praia pisei. Tenho, no entanto, capacidade para relatar um pouco sobre as pessoas e o trabalho realizado pelo SEBRAE aqui no Rio Grande do Norte.
O Rio Grande do Norte é, com certeza, um Estado privilegiado. As pessoas são maravilhosas, muito acolhedoras e simpáticas. O corpo de funcionários do SEBRAE da região não poderia ser diferente. Eu e o meu colega de viagem Pedro fomos muito bem tratados e tivemos a oportunidade de conhecer praticamente todas as unidades da instituição. Até com os diretores nos reunimos. E trabalho não faltou.
Ao chegarmos à sede do SEBRAE/RN na quarta-feira pela manhã, fomos acolhidos por um grupo de funcionários, e, logo em seguida, bombardeados com informações, constantes do roteiro de nossa estada. O projeto de desenvolvimento do território de Mato Grande foi o primeiro a ser apresentado, e, por meio dele, pudemos verificar a importância de iniciativas que buscam incentivar vocações econômicas de cada região - no caso o wind e kite surf, dentre outras atividades como a produção de abacaxis, em Mato Grande. Após esta breve exposição, pegamos a estrada, a fim de visitar a chácara Piauísul no município de Macaíba. O foco da visita era conhecermos um pouco mais do projeto de floricultura do SEBRAE/RN ao entrarmos em contato com um pequeno produtor de flores tropicais da região. Após voltarmos a Natal e rapidamente almoçarmos, seguimos para nosso último destino do dia: o distrito de Cobé, no município de Vera Cruz, local reconhecido pela grande concentração de pequenas fábricas produtoras de farinha. Visitamos três fábricas distintas e ficamos impressionados com a Casa de Farinha dos Anjos. Exemplo de iniciativa e empreendedorismo, o proprietário da fábrica, Jânio, congraçou-nos com seus aperitivos feitos a partir da mandioca, mas principalmente com seu jeito de ser. Dono de uma mentalidade instigante, Jânio despertou, ao menos em mim, a idéia de que mudanças são possíveis; o que falta à maioria de nós é coragem para tal.
Na quinta-feira, logo ao chegar ao SEBRAE/RN, dirigimo-nos à sala de treinamento, onde ouvimos um pouco mais sobre os projetos de tecnologia da instituição, principalmente o Sebraetec/Protec e mais enfaticamente sobre um projeto de educação espetacular. Seu título resume a essência do projeto: Despertar. O foco do “Despertar” é abrir os olhos de estudantes do ensino médio de escolas públicas do Estado para o empreendedorismo. Por meio de parcerias diversas e da capacitação de professores, o projeto, apesar de pequeno em termos financeiros, torna-se grandioso, ao prover novas perspectivas de futuro para garotos e garotas da região. Depois deste banho rejuvenescedor, partimos para conhecer o Núcleo de Incubação Tecnológica. Em contato com gestores da incubadora e com sócios das empresas ali instaladas, pude constatar que a categoria de micro e pequenas empresas é capaz de congregar empresários de perfis e níveis de escolaridade totalmente distintos, além de produtos de valor agregado e tecnologias inteiramente díspares. Devido à nossa longa conversa, quase não tivemos tempo para almoçar e já partimos para breve apresentação de projetos da Unidade de Orientação Empresarial, mais especificamente o ALI – Agentes Locais de Inovação. Com base neste projeto saímos mais uma vez a campo, desta vez em direção ao bairro do Alecrim, com o intuito de visitarmos empresas atendidas pelo ALI e pela Oficina SEBRAE de empreendedorismo. Ao conversar com empresários deste bairro popular extremamente voltado ao comércio, tornava-se visível as alterações significativas que o projeto pôde trazer para a realidade dos empreendimentos e do bairro em geral. Após o depoimento de um dos empresários – o qual confessara que quase fechou as portas, e o primeiro passo para mudança de rumo foi a alteração psicológica -, ficou claro que a barreira mais difícil de ultrapassar é a mentalidade enraizada em determinada cultura tradicional, aquela mentalidade que nos indica aversão à mudança.
Findo o dia de quinta-feira, voltamos ao SEBRAE/RN na sexta feira às 09:00h. A agenda parecia um pouco mais light. Ainda de manhã fomos apresentados ao projeto de petróleo e gás do Estado, exposição que agregou conhecimentos sobre a capacidade das micro e pequenas empresas fornecedoras da Petrobras conseguirem se associar com vistas a incrementar vendas, manter bases de dados, incorporar conhecimentos quanto à qualidade, eficiência energética, capacidade organizacional, dentre outras questões. A Unidade de Indústria continuou expondo seus projetos, mas agora na área de confecções. Após breve relato sobre a experiência do “Natal Pensando Moda”, seguimos viagem para visitarmos uma das empresas atendidas pelo projeto. Em contato com a proprietária, percebi que a busca por mercados e por exposição da marca fora do circuito tradicional de comércio é importante para esse segmento, até pelo fato de que há clara deficiência local em suprir as carências de fornecimento do estabelecimento. São Paulo ainda é o local privilegiado quando tratamos de fornecimento de acessórios, malhas e tecidos para confecção. A visita foi curta e tivemos tempo de sobra para almoçar, mas a tarde, que parecia tranqüila no roteiro, mostrou-se diferente com quatro horas de apresentações pela Unidade de Comércio e Serviços. A exposição inicial enfocou o projeto “Turismo Melhor”, iniciativa voltada ao incremento da qualidade dos equipamentos de hospedagem e alimentação do Estado. Desenvolvido por meio de consultorias e capacitações o projeto lista itens, aos quais a empresa tem que se adequar para receber a outorga do título de “Turismo Melhor”. Não tivemos folga e, logo em seguida, foi exposto o projeto do SEBRAE para a Copa de 2014 no Brasil. O projeto é realmente muito amplo e se assemelha a um programa de iniciativas voltadas à estruturação da cidade de Natal, mais especificamente da região do entorno de 100 km ou à uma hora de distância do estádio da capital do Estado.
Acredito ter ficado evidente nossa elevada carga de trabalho nesses últimos três dias. Foi realmente uma experiência muito interessante, com certeza, uma das mais gratificantes de minha vida. Aprendi com todos, desde a pequena proprietária de uma loja de moda evangélica (segmento que acreditava ser inexistente até então) até os diretores do SEBRAE/RN. Todos passaram mensagens importantes de como encarar a missão de nossa instituição e de como olhar para os pequenos empresários de maneira mais inclusiva e sem preconceitos. Gostaria, ao final desse depoimento, registrar meus agradecimentos especiais à Juliana, pessoa extremamente atenciosa, que foi responsável pela elaboração do roteiro de nossa visita, ao Emerson, presente em todos os momentos, grande amigo, piadista e parceiro, e ao meu colega de viagem Pedro, que me aturou esse tempo todo e contribuiu com minha formação, por meio de comentários inteligentes e sua maneira de ser.
Arrivederci.