Olá pessoal,
Hoje, gostaria de enfocar um dos projetos que mais me atraiu na visita a Natal: o projeto de desenvolvimento territorial da região de Mato Grande. A iniciativa a mim apresentada por Angelo Baeta corresponde à estratégia de estímulo ao empreendedorismo e fortalecimento da estrutura econômica do território nordeste do Rio Grande do Norte; e deve ser enfatizada como exemplo de que, apesar de avanços tecnológicos, estamos muito aquém de conhecermos as múltiplas realidades que nos circundam.
O território de Mato Grande é um dos três Territórios da Cidadania estabelecidos pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário, em 2008, para o Estado do Rio Grande do Norte. O programa do governo federal, conforme descrito no site (http://www.territoriosdacidadania.gov.br/) tem como objetivos "promover o desenvolvimento econômico e universalizar programas básicos de cidadania por meio de uma estratégia de desenvolvimento territorial sustentável". A necessidade de se atentar para territórios de baixo dinamismo econômico tornou-se política de governo e o SEBRAE não poderia se ausentar de elaborar projetos nesta estirpe.
A região de Mato Grande foi escolhida como alvo preferencial da Unidade de Desenvolvimento Territorial do SEBRAE/RN. A população superior a 200 mil habitantes, dos quais 52% vivem na área rural, o IDH territorial de 0,61 e a constatação de que 80% do território é caracterizado por baixo dinamismo econômico são pontos que indicam a importância de projetos que busquem estimular e promover a cultura empreendedora como ferramenta para inclusão produtiva. O desenvolvimento sustentável de Mato Grande é objetivo primordial, sendo somente possível por meio de diagnósticos bem elaborados e da participação efetiva da governança local.
Problemas à parte, o diagnóstico elaborado pelo SEBRAE apontou que o litoral da região apresenta grande potencial turístico, com praias isoladas e ótimas condições para a prática de wind e kite surf. Estas mesmas condições, acarretadas pela intensidade dos ventos alísios, indicam elevada capacidade eólica para geração de energia no território. O potencial apicultor é enorme. O Rio Grande do Norte é um dos maiores exportadores de mel do país e pesquisas demonstram que caso produzida em Mato Grande, a quantidade de mel no Estado triplicará. Além disso, o corredor de produção de abacaxi é interessante para a região, constatando-se que a capital do abacaxi do Estado, Ielmo Marinho, produz menos do fruto do que cidades como Touros e Pureza, situadas no território de Mato Grande. Verifica-se que maior quantidade e qualidade se encontram em outras cidades, mas o incipiente marketing ainda nã garante ganhos relevantes de imagem.
O projeto, apesar de dificuldades inerentes à sua categoria, vem alcançando resultados expressivos, como o início das exportações de abacaxi, a adesão de 13 dos 15 municípios à Lei Geral das MPE's e a maior visibilidade de municípios da região a nível nacional, conforme evidenciado em programas de mídia retratando o lado paradisíaco de São Miguel do Gostoso.
A busca por maior integração entre os municípios do território, estratégias como o registro de Empreendedores Individuais e incentivos a compras governamentais, ao turismo rural e a consolidação de consórcios municipais para educação, saneamento e turismo ainda são conquistas a serem atingidas. O número de empreendimentos, a renda dos empreendedores, a quantidade de empregos, o mix de produtos e a comercialização, entretanto, já sofreram expressivos aumentos.
É incrível que tudo isso faça parte do Brasil, mais especificamente de um território, até pouco tempo, praticamente inexplorado. A ausência de Mato Grande da área semi-árida inviabilizava o apoio por meio das políticas nacionais para o semi-árido, assim como sua ausência do território metropolitano isentava-o de incentivos próprios à região próxima à capital. O isolamento vivenciado por Mato Grande exemplifica o fato de que ainda estamos muito longe de conhecermos minuciosamente os diversos aspectos da vida moderna. Relegamos o que não nos interessa a segundo plano e deixamos de olhar para a realidade holisticamente. O primeiro passo para a mudança de rumo talvez seja a capacidade de olhar para o lado e identificar oportunidades de avanço. Mato Grande pode ser o início desta mudança.
Arrivederci.
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