Boa noite a todos,
Hoje, gostaria de abordar questão relativa aos cuidados a serem providenciados em exercícios comparativos. Após questionamentos, na Universidade Corporativa SEBRAE, sobre vantagens e desvantagens de se comparar estatísticas relativas à MPEs em distintos países, percebi que é, de fato, muito difícil achar denominadores comuns para análise do segmento MPE. Apresento minha resposta:
É importante enfatizar, em primeiro lugar, que os critérios para caracterizar MPE estão longe de constituir bloco unânime de entendimento. Se concentrarmo-nos apenas na América Latina, veremos que, enquanto o critério argentino se embasa em vendas anuais, o México tem o número de empregados como alicerce, o Uruguai apresenta o número de empregados, de vendas e de ativos como critério e o Mercosul, com juízo próprio, prevê a análise de um coeficiente de tamanho específico, composto por duas variáveis e dois parâmetros pré-estabelecidos. Comparar estatísticas que não, necessariamente, representam o mesmo segmento, ou, simplesmente, representam idéias diferentes de um mesmo conceito é um risco. Pode-se argumentar que países têm realidades distintas, e critérios de MPEs devem ser estabelecidos caso a caso (do mesmo modo que o módulo rural, no Brasil, varia de região para região). Esse argumento, em si, já introduz a dificuldade de comparar países de realidades distintas; fato que representa a maior desvantagem nessa análise comparativa.
A vantagem, no entanto, parece-me clara, no sentido de que, apesar de cenários diferentes, o SEBRAE pode se espelhar em exemplos externos, a fim de incrementar sua atuação e contribuir com a evolução do setor. A análise de boas práticas em gestão, legislação e projetos pode ser fator de referência à atuação do SEBRAE (justificando a existência da UAIN). O benefício do exercício comparativo é, neste sentido, a possibilidade de verificar diferentes contextos e captar, tendo em vista certas peculiaridades, algumas práticas. Não se pode esquecer, no entanto, que a maior contribuição de MPEs em países específicos não quer dizer, necessariamente, que a estrutura de incentivo às MPEs é robusta e mais qualificada. A realidade pode demonstrar justamente o contrário – a falta de incentivos e investimentos e a conseqüente fragilidade ou inexistência de grandes empreendimentos no país.
Verifiquei, em minha resposta, que a análise comparativa, para atingir graus maiores de confiabilidade, deve corresponder a critérios minimamente equivalentes. Isto, no entanto, não tira o mérito de análises qualitativas de projetos de incentivo e do ambiente para formação de negócios. Cuidados e ressalvas são importantes, mas não se pode cair num relativismo pós-moderno em que nenhum conceito se aplique, simplesmente, por não corresponder igualmente aos mesmos objetos de análise em cenários distintos. O meio-termo me parece mais racional.
Arrivederci.
olá Eduardo. paz.
ResponderExcluirComo a diversidade entre os mais de 200 países existentes, hoje, na Terra, é enorme e complexa, comparativos entre sucessos e insucessos relativos as MPEs, sempre será de difícil análise e tratamento estatístico.
Meio termo pode ser um processo de análise acurada e separação de extremos, basicamente utilizando-se de regras matemáticas estatísticas.
Assim como temos números que são negativos em relação as MPEs, também os temos muito positivos e até merecedores de divulgação mundial.
Creio que estudos bem aprofundados e realísticos podem levar a índices de desempenho que traduzam o que realmente é o universo e os cenários das e nas MPEs.
big abraço. ivan lopes - blogueiro