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quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Raízes do atraso?

Boa noite pessoal,

Na última segunda-feira, nós, trainees do SEBRAE Nacional, debatemos, com a mediação de Marina Laura e Carlos Eduardo Santiago, conceitos extraídos da obra Raízes do Brasil de Sérgio Buarque de Holanda e seus possíveis elos com a realidade encontrada nas visitas aos SEBRAE's-UF's.

Verificou-se a peculiaridade de certos traços do povo brasileiro. Os problemas de planejamento, o ímpeto personalista e as barreiras ao associativismo, a lógica cultural patrimonialista, a busca pela inteligência meramente ornamental, a dificuldade em separar o domínio público do privado, o impulso à aventura e ao dinheiro fácil, os estímulos à constante troca de carreira por oportunidades aparentemente mais lucrativas, a afeição por modelos de relacionamento afetivos e pessoais, a aversão a ritualismos e hierarquias foram apenas alguns dos temas ressaltados. A conclusão mais importante, para mim, no entanto, encaixa-se menos dentro desses tópicos e mais na observação do traço geral de nosso povo.

Após horas de debate, percebi - fato que talvez não tivesse apreendido não fosse essa atividade - que o brasileiro não deve, segundo Holanda parece indicar em sua obra, "abdicar" - ou simplesmente mitigar o efeito - de suas raízes - no caso, ibéricas - para avançar no modelo ocidental de civilização. Holanda, conforme Paulo Volker, analista da Unidade de Assuntos Internacionais, ressaltou em sua intervenção, baseou seu livro em considerações acerca do caráter ibérico do brasileiro, esquecendo, ou talvez não tendo as informações necessárias à época, de que somos algo mais; uma mistura de povos heterogêneos. Não devemos, tampouco, creditar Portugal ou Europa como modelos sociais a ser seguidos. Culturas indígenas, africanas, entre outras, embasam-se, possivelmente, em crenças diferentes e valores que não devem se subjugar ao modelo europeu. O brasileiro é o que é. Não é o simples produto do povo ibérico aqui trazido no século XVI. Somos a síntese de misturas, passadas e correntes, de povos e não devemos renunciar nossos valores, crenças e modelos mentais para, simplesmente, "enquadrarmo-nos" na ordem cultural ocidental moderna.

Não somos, e acredito que Holanda não pretendeu sinalizar dessa maneira, um Estado meramente patrimonialista ou repleto por indíviduos unicamente "aventureiros". Raízes do Brasil, acredito, aponta para tendências entre modelos ideias distintos, ou seja, modelo patrimonial ou gerencial são apenas dois extremos de um mesmo tema. Para mim não importa se adquirimos mais aspectos relacionados a posturas patrimonialistas, até por não considerar esses tipos ideais como etapas a serem seguidas. O que importa é, dado nossa cultura e crenças, sermos capazes de otimizar nossas características de forma a torná-las impulsionadores de nosso bem-estar.

Nós brasileiros não deveríamos nos preocupar em copiar modelos externos de conduta ou padrões morais alienígenas. Somos um país com história e cultura próprias. Falta-nos, às vezes, reconhecermo-nos como únicos e valorizarmo-nos como um povo. 

Arrivederci.

Um comentário:

  1. olá Eduardo. paz.

    Muito boas suas consideraçõe sobre o livro de Holanda.

    Também não acredito em 'modelos padronizados' para o nosso Brasil.

    Temos tudo para sermos uma Nação com identidade própria e soberana.

    Parabéns pelas conclusões sobre o livro.

    big abraço. ivan lopes - blogueiro

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